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Entre os dias 19 e 27 de setembro, a CAISA – Cooperativa de Artes, Intervenção Social e Animação, C.R.L. esteve em Elniakampis, perto de Vilnius, na Lituânia, no âmbito da Youth Exchange “(g)Real Talk”, assumindo um papel de destaque na facilitação pedagógica do projeto. Coordenado pela organização DGT, da Lituânia, o intercâmbio reuniu jovens e organizações de seis países – Lituânia, Portugal, Espanha, Croácia, Grécia e Turquia -, criando um espaço de encontro, partilha e aprendizagem intercultural.

Para além de participar com um grupo de jovens portugueses, a CAISA integrou a equipa responsável pela conceção, dinamização e acompanhamento da componente pedagógica e educativa da Youth Exchange. A facilitação do projeto esteve a cargo de Sílvia Oliveira, Diretora Geral da CAISA, que, em articulação com a organização coordenadora e os restantes parceiros, dinamizou diferentes metodologias de educação não formal ao longo do intercâmbio.

A “(g)Real Talk” teve como ponto de partida a comunicação enquanto ferramenta de participação e transformação social. Ao longo dos dias, os participantes foram convidados a refletir sobre as diferentes formas de comunicar, sobre as diferenças culturais e geracionais e sobre a importância de adaptar a nossa comunicação aos diferentes contextos.

Mas comunicar também significa saber ouvir. E foi precisamente nesse encontro entre diferentes experiências, culturas e formas de ver o mundo que esteve uma das maiores riquezas do projeto.

Os jovens tiveram oportunidade de partilhar os desafios existentes nos seus países, particularmente no que diz respeito à sustentabilidade e à adoção de comportamentos mais responsáveis em relação ao ambiente. Através de debates, desafios, simulações e trabalho colaborativo, procuraram compreender porque determinados comportamentos sustentáveis ainda não estão generalizados e exploraram estratégias para sensibilizar e motivar outras pessoas a mudar.

A Youth Exchange abordou ainda a utilização da inteligência artificial e das ferramentas digitais na comunicação, permitindo aos participantes refletir sobre as suas potencialidades, mas também sobre os riscos e a importância de uma utilização consciente e responsável.

Mais do que transmitir conhecimentos, a educação não formal procura criar espaços onde cada participante possa experimentar, questionar, errar, aprender e contribuir. Foi isso que aconteceu ao longo desta experiência, num ambiente pensado para que todos os jovens, incluindo aqueles com menos oportunidades, pudessem encontrar espaço para participar, expressar as suas opiniões e ganhar confiança nas suas próprias capacidades.

Para Margarida Cunha, participante portuguesa no projeto, a experiência voltou a demonstrar que nenhum intercâmbio é igual a outro. “Não era a minha primeira vez num projeto na Lituânia, por isso pensei que ia ser mais um igual aos outros. Enganei-me, e acabo sempre por me enganar: cada projeto tem algo de especial e o seu próprio lugar na minha memória”, conta. Apesar de reconhecer algumas semelhanças com experiências anteriores, Margarida destaca precisamente aquilo que torna cada intercâmbio único: as pessoas que dele fazem parte. “Os workshops pareciam familiares, parecidos com outros em que já tinha participado, mas foram diferentes. Quando as pessoas mudam, mudam também as perspetivas e as conclusões, e foi isso que me surpreendeu mais uma vez.”

É neste contacto com outras realidades que reside uma das grandes forças dos projetos europeus. Viajar, neste contexto, não significa apenas conhecer um novo país. Significa conhecer outras formas de pensar, outras experiências e outras maneiras de interpretar o mundo. “Para mim, não há melhor intercâmbio do que este: ver o mundo pelos olhos de quem viveu outras experiências, noutros sítios. Saio daqui com a cabeça mais aberta e o coração mais cheio”, conclui Margarida.

Para a CAISA, esta participação representa mais um passo no caminho que tem vindo a construir na área da educação não formal, participação juvenil, interculturalidade, sustentabilidade e cooperação europeia. Assumir a facilitação pedagógica de uma Youth Exchange internacional é também reconhecer a experiência e as competências que a CAISA tem desenvolvido na criação de processos educativos participativos, onde aprender significa também escutar, partilhar, experimentar e construir em conjunto.

E é precisamente esse o verdadeiro propósito destas experiências: que aquilo que acontece durante uma semana na Lituânia não fique apenas na memória de quem participou, mas que viaje com cada jovem de regresso à sua comunidade, transformando-se em novas ideias, novas atitudes e novas formas de participar e intervir no mundo que o rodeia.

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